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As gémeas de cor diferente que a National Geographic usou para se redimir

A revista reconheceu ter sido racista no passado e por isso convidou Millie e Marcia, de 11 anos, para serem a capa da sua primeira edição do ano sobre “o outro”.

As gémeas de cor diferente que a National Geographic usou para se redimir

Em 1888 foi editado o primeiro número da revista National Geographic. Passados 130 anos, agora, um editorial da mesma revista admite: “Durante décadas, a nossa cobertura foi racista”. E como forma de se redimir, na mesma edição em que lamenta a sua atitude do passado, dedicou a capa a duas gémeas de cores diferentes: uma branca e outra negra.

Millie Marcia Madge Biggs e Marcia Millie Madge Biggs são irmãs gémeas dizigóticas, o que quer dizer que nasceram de dois espermatozóides distintos e que fertilizaram óvulos diferentes. No entanto, ambos os fetos se desenvolveram dentro do mesmo útero e nasceram no mesmo dia. Os pais das meninas, Amanda Wanklin e Michael Biggs, são um casal inter-racial norte-americano.

Marcia tem um tom de pele claro e cabelo loiro, como a sua mãe, nascida em Inglaterra. Já a sua irmã, Millie, tem o cabelo preto e encaracolado e uma pele castanha, à semelhança do seu pai, nascido na Jamaica.

Em declarações à National Geographic, o pai das meninas, Michael, afirmou que as diferenças de pele das duas crianças nunca os afligiram. “Quando elas nasceram e eu andava a empurrá-las no carrinho, as pessoas olhavam para mim, depois olhavam para a minha filha, depois para a minha outra filha. E depois perguntavam-me: ‘São gémeas?’. Eu respondia que sim e eles retorquiam: ‘Mas uma é branca e a outra negra’. ‘Sim, são genes’”, contou a mãe que confessa que as pessoas nunca julgavam, apenas demonstravam curiosidade.

E os genes são de tal forma fortes que o pai das meninas, Michael, assegura que ambas têm o seu nariz.

A mãe trata as meninas como “o milagre de um num milhão”. E embora um em cada cem nascimentos seja de gémeos dizigóticos, não é assim tão comum os gémeos nascidos de casais inter-raciais apresentarem tamanhas diferenças.

Segundo um especialista, os traços de cada criança dependem de vários factores genéticos dos pais, mas isso não diz respeito às duas meninas que figuram na capa de uma das mais icónicas revistas do mundo, sobre um assunto bastante delicado. “Racismo é quando alguém nos julga pela cor da nossa pele e não por nós próprios”, define Millie, enquanto Marcia disse que o racismo é uma “coisa negativa, porque pode magoar os sentimentos das pessoas”.

A história destas duas meninas é o mote para a série de edições que a National Geographic vai lançar este ano subordinadas aos temas da raça, etnia e crenças religiosas no século XXI. Depois das crianças vai haver edições sobre muçulmanos, americanos de origem asiática e nativo-americanos, os “outros” que não são pessoas brancas.

Tanto as crianças, como os pais das mesmas, asseguram nunca ter sentido racismo pelas diferenças entre as duas. “Quando as pessoas nos vêem, elas pensam que somos apenas melhores amigas e quando sabem que somos gémeas ficam algo chocadas porque uma é branca e a outra negra”, diz Marcia que não nega haver outras diferenças entre elas: “A Millie gosta de coisas de meninas como cor-de-rosa e tudo isso. Eu não gosto de rosa, sou uma maria-rapaz. As pessoas são como são”.

 

Fonte: Sábado