Enxaqueca não tem cura, mas pode ser controlada Mai28

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Enxaqueca não tem cura, mas pode ser controlada

A enxaqueca crónica caracteriza-se por cefaleia em 15 ou mais dias do mês, sendo oito dias com crises típicas de enxaqueca, por mais de três meses, na ausência de abuso de medicamentos.

Enxaqueca não tem cura, mas pode ser controladaCausas

As causas exactas da enxaqueca são desconhecidas, embora se saib que elas estão relacionadas com alterações do cérebro e possuem influência genética. A enxaqueca começa quando as células nervosas, já em estado de hiperexcitabilidade, reagem a algum gatilho frequentemente externo, enviando impulsos para os vasos sanguíneos, causando sua constrição ( relacionado à aura) seguida de uma dilatação (expansão) e a libertação de prostaglandinas, serotonina e outras substâncias inflamatórias que causam a dor. O padrão de crise é sempre o mesmo para cada indivíduo, variando apenas em intensidade.

O espaçamento entre crises é variável. Sabe-se também que o gatilho para as crises em enxaqueca variam de indivíduo para indivíduo, sendo que em alguns a pessoa pode não apresentar nenhum gatilho específico. Os gatilhos de enxaqueca mais comuns são:

  • Stresse
  • Jejum prolongado
  • Dormir mais ou menos do que o costume
  • Mudanças bruscas de temperatura e humidade
  • Perfumes e outros odores muito fortes
  • Esforço físico
  • Luzes e sons intensos
  • Abuso de medicamentos, incluindo analgésicos
  • Factores hormonais: é comum mulheres portadoras de enxaqueca apresentarem dor nas fases pré, durante ou após a menstruação. Esse tipo de migrânea é chamado de enxaqueca menstrual. Esse tipo de enxaqueca tende a melhorar espontaneamente na menopausa. Muitas mulheres têm as crises pioradas, ou ate melhoradas, a partir do momento que iniciam o uso de anticoncepcionais orais
  • Alimentos e bebidas: queijos amarelos envelhecidos, frutas cítricas (principalmente laranja, limão, abacaxi e pêssego), carnes processadas, frituras e gorduras em excesso, chocolates, café, chá e refrigerantes à base de cola, aspartame (adoçante artificial), glutamato monossódico (tipo de sal usado como intensificador de sabor, principalmente em comida chinesa), excesso de álcool.

Sintomas de Enxaqueca

Entre os sintomas de enxaqueca estão:

  • Crise de cefaleia durando de quatro a 72 horas, unilateral e pulsátil
  • Náusea
  • Vómitos
  • Bocejos
  • Irritabilidade
  • Sensibilidade à luz
  • Sensibilidade ao som
  • Sensibilidade ao movimento do corpo ou do ambiente.
  • Tontura
  • Fadiga
  • Mudanças de apetite
  • Problemas de concentração, dificuldade para encontrar as palavras

Enxaqueca com aura

A manifestação mais comum da enxaqueca com aura é a chamada aura visual, que pode se apresentar como flashes de luz, manchas escuras em forma de mosaico ou imagens brilhantes em ziguezague – como quando estamos andando em uma estrada e vemos aquele ziguezague de calor que emana do chão. Em outros casos, a enxaqueca com aura pode se manifestar como dormências ou formigamentos em apenas um lado do corpo – dependendo da gravidade da enxaqueca com aura, a pessoa pode começar com um formigueiro numa das mãos e ele se espalhar por todo o lado do corpo, chegando a adormecer apenas metade da língua.

No entanto, essas manifestações sensitivas da enxaqueca com aura são mais raras. Geralmente, a aura começa da cefaleia na crise de enxaqueca, podendo persistir ou não depois que a dor começa.

Diagnóstico de Enxaqueca

 O diagnóstico de enxaqueca é basicamente clínico. O médico neurologista fará perguntas como:

  • Você sente dor em qual lado da cabeça?
  • Quais os sintomas relacionados à dor?
  • Qual a duração desses sintomas?
  • Eles acontecem em ambos os lados do corpo?
  • Se foram sintomas visuais, como são e em que momento os apresenta?
  • Algum desses sintomas aparece antes de a dor começar?

Seu médico pode querer ter certeza de que não existem outras causas para sua enxaqueca. Assim, é provável que ele faça exames físicos e neurológicos. Além disso, o médico irá perguntar sobre seu histórico familiar, incluindo questões como:

  • Os outros membros da família têm enxaqueca ou outros tipos de dores de cabeça?
  • Você usa medicamentos como pílulas anticoncepcionais ou vasodilatadores?
  • Sua dor de cabeça começa depois que você faz muito esforço, ou após tossir ou espirrar?
  • O diagnóstico da enxaqueca é feito clinicamente, seguindo os seguintes critérios, com base nas directrizes da Headache International Society. Para ser diagnosticada a enxaqueca, o paciente precisa apresentar pelo menos cinco crises com essas características:
  1. Crise de cefaleia durando de quatro a 72 horas (tratamento fracassado ou não realizado)
  2. Cefaleia tendo pelo menos duas das seguintes características: unilateral pulsátil
  3. dor de intensidade moderada a intensa
  4. dor agravada ou impedindo atividade física rotineira (caminhada, subir escadas, etc)
  5. Durante a cefaleia, ocorrência de pelo menos um destes sintomas: náusea e vômitos, fotofobia e “fonofobia”.
  6. Nenhum outro diagnóstico que explique a cefaleia.

Enxaqueca com aura

Pelo menos duas crises com a presença de sintomas da aura, como pontos luminosos ou perda e embaçamento da visão, formigamento, dormência e fraqueza no corpo e dificuldade na fala.

Tratamento de Enxaqueca

Antes de iniciar o tratamento para enxaqueca, é necessário saber se o diagnóstico está correcto e qual o fator desencadeante dela. No geral, o melhor é evitar esses desencadeantes e tomar o medicamento indicado pelo médico quando uma crise aparecer. Os medicamentos para prevenção da enxaqueca incluem neuromoduladores, betabloqueadores, antidepressivos, antivertiginosos. A indicação, no entanto, dependerá de cada caso.

Convivendo/ Prognóstico

Durante uma crise de enxaqueca, siga essas recomendações:

Tome o medicamento: pessoas que tem enxaqueca frequente devem sempre andar com seus medicamentos. Isso porque algum tempo após a dor de cabeça se iniciar, ocorre um processo de sensibilização central, que mantém a dor e a torna mais rebelde aos analgésicos

Entenda o que alivia a sua dor: como os desencadeantes da enxaqueca são diferentes para cada um, a forma de aliviar essa dor também varia. Alguns dos tratamentos não medicamentosos mais comuns incluem compressas quentes ou frias, massagens, terapia de biofeedback, homeopatia e acupuntura

Trate os sintomas separadamente: como o analgésico trata apenas a dor da enxaqueca, os outros sintomas devem ser tratados de forma tópica. Esse cuidado é redobrado com aqueles que sofrem com vômitos, pois ele pode golfar os analgésicos, precisando ir ao pronto socorro para receber drogas injetáveis

Descanse em um local escuro e silencioso: durante uma crise de enxaqueca, o paciente não suporta ambientes barulhentos e com muita luz. Por isso, o ideal é se sentar o deitar – o que for mais confortável – em um local com pouca luz e sem barulhos, evitando ao máximo atividades que o tirem do repouso

Faça refeições leves e hidrate-se: beba muito líquido, tanto água quanto soluções hidratantes disponíveis no mercado. Caso haja vômito, o melhor é não ingerir alimentos sólidos e, em casos graves, procurar um pronto atendimento para receber medicações injetáveis mais potentes.

Complicações possíveis

O episódio de enxaqueca é autolimitado e raramente resulta em complicações neurológicas permanentes. Enxaqueca crónica pode causar incapacitação por dor e afectar a execução de actividades diárias e a qualidade de vida. Quando uma crise intensa se prolonga por mais de 72 horas, diz-se que o paciente está em status enxaquecoso (ou migranoso).

Prevenção

Além dos medicamentos para enxaqueca e cuidados no momento da crise, você pode adoptar alguns hábitos que ajudam na prevenção da enxaqueca:

  • Manter um diário da enxaqueca: isso pode ajudar a identificar qualquer coisa que possa desencadear enxaquecas com aura. Inclua no diário a data e a hora da enxaqueca, todos os alimentos que você comeu, actividades que você participou e medicamentos ingeridos;
  • Evite alimentos, medicamentos e factores ambientais desencadeantes;
  • Fique atento aos gatilhos psicológicos, como stresse e ansiedade.;
  • Procure um especialista que lhe indique o medicamento preventivo mais apropriado para você.

 

Fonte: Mulher Negra e Cia.