Os 7 pecados da gravidez Set17

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Os 7 pecados da gravidez

Exagerou no almoço com a desculpa de que precisa comer por dois? Anda com preguiça de fazer exercício? Está de mau humor e descarregou tudo no seu companheiro? Calma, a gravidez não é motivo para sair dos eixos!

Gula, ira, soberba, preguiça, vaidade, avareza e luxúria. Com certeza que já ouviu falar sobre os sete pecados capitais. Criados pela Igreja Católica no final do século VI, já foram tema de livros, filmes e novelas. Pode perguntar: «Mas o que isso tem que ver com a gravidez?». Tudo! É possível ver cada um dos pecados no meio a todas as transformações que a mulher e a sua família vivem durante os nove meses. Quer ver? O Sapo Crescer descreve como cada pecado ocorre na vida de uma grávida e ainda dá algumas dicas para evitar cair nas tentações.

Preguiça
Tudo bem, sabemos que a gravidez dá sono e moleza, principalmente no primeiro trimestre. Mas isto não é desculpa para ficar parada! Além do mais, a prática de exercício físico, quando feita com a devida orientação, traz muitos benefícios, como a prevenção e redução de dores nas costas, mãos e pés e de stress cardiovascular. Ainda desenvolve o fortalecimento da musculatura pélvica, reduz o risco de parto prematuro e de cesariana, dá maior flexibilidade e tolerância à dor e eleva a auto-estima. «É recomendável que a grávida esteja sempre em movimento. Mas é fundamental que a actividade física seja sempre orientada e acompanhada por profissionais acostumados ao atendimento de grávidas», aconselha Gisela Monteiro, professora de Educação Física.

Por isso, antes de sair a correr para o parque ou de se inscrever num ginásio, converse com o seu médico. Só ele pode atestar a sua saúde gestacional e indicar a actividade física mais adequada de acordo com o seu estilo de vida. Segundo Gisela Monteiro, actividades de alongamento, relaxamento e fortalecimento dos músculos posturais e do pavimento pélvico devem fazer parte da rotina da grávida.

«Nem só de hidroginástica vive a grávida. Esta actividade é ótima, mas não é a única que ela pode realizar.»

Ira
Tinha combinado ir ao cinema com o seu companheiro, mas ele vai ter de trabalhar até tarde. Há alguns meses, você diria «tudo bem, amor», e aproveitaria para sair com as amigas ou ler um livro. Mas, agora, irrita-se, diz que ele nunca pensa em si e, quando dá por isso, já está a chorar ao telefone. Se isto faz parte do seu quotidiano desde que engravidou, não desespere. É tudo culpa das hormonas!

A gravidez fornece a mulher de uma condição hormonal única na vida. Por isso, sensibilidade, choro fácil e momentos de explosão são comuns. Além disso, está a preparar-se para assumir um novo papel, o que traz inúmeras questões, inseguranças e expectativas.

«Construir e assumir novas funções demandam grandes esforços psíquicos e geram alguns conflitos», diz Renata Menezes, psicóloga. Portanto, é normal perder o controlo algumas vezes. Mas não dá para deixar que essas oscilações de humor prejudiquem a sua rotina e os seus relacionamentos. Por isso, é tão importante focar-se em si e no seu filho.

«A grávida deve relaxar por breves momentos durante o dia. Olhar para o ventre, acariciá-lo e dizer palavras carinhosas para o bebé proporciona paz de espírito e bem-estar. Isto trará bons frutos nos momentos que se seguem ao parto e nos primeiros meses de vida da criança», orienta Miguel Grilo, ginecologista e obstetra.

Gula
«Estou grávida, preciso de comer por dois!» Este é um dos grandes mitos que envolvem a gravidez. O mais importante nesse período é a qualidade da alimentação e não a quantidade. Mas o que é essa qualidade?

Segundo Lúcia Spínola, endocrinologista, é uma dieta diversificada, com a ingestão de verduras, frutas e legumes, e refeições em intervalos regulares de 2 a 3 horas, no máximo. «E não adianta comer cenouras todos os dias e pensar que se tem uma alimentação equilibrada: é preciso variar. Também se recomenda evitar gorduras e hidratos de carbono em excesso.»

Tudo isto é importante para a a saúde da grávida e a do bebé, além de ajudar a controlar o ganho de peso. Se é uma grávida atleta, pode pensar: «Faço exercícios regularmente, não preciso levar a alimentação tão à risca». Mas não é bem assim…

Um estudo recente da Queen Mary University of London, no Reino Unido, mostrou que uma dieta saudável durante a gravidez é mais eficiente para manter a forma do que fazer exercício. Os investigadores analisaram 44 estudos, tendo o maior deles sido feito com 7 mil grávidas.

Observaram os efeitos da dieta, dos exercícios e da combinação dos dois para saber quantos quilos a mulher engordava durante a gravidez – e se o bebé sofria alguma complicação. Os três métodos ajudaram no controlo de peso, mas a dieta foi o mais eficiente deles.

«Quando a futura mãe consome a quantidade de calorias que precisa, não tem alteração de peso. Já uma actividade física sem controlo da alimentação, se ingerir mais do que o necessário acabará por engordar», explica Fernanda Seixas, nutricionista e especialista em alimentação da grávida.

Ainda segundo dados da pesquisa, a dieta saudável reduziu o risco de haver pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, pressão alta e parto prematuro, complicações causadas principalmente pela obesidade.

Ganhar peso em excesso ou comer pouco estão directamente ligados à saúde da mãe e do bebé. Por isso, nada de radicalismos. Não é bom devorar tudo que vê pela frente com a desculpa de que está grávida nem ficar neurótica com o peso.

«A ingestão escassa de alimentos é considerada factor de risco para complicações na gestação, como o baixo peso ao nascer. Comer demais também é um problema, pois causa a obesidade materna e tem efeito significativo no aumento das taxas cesarianas e nos resultados perinatais desfavoráveis», explica Fernanda Seixas.

Vaidade
Todas as mulheres – ou a grande maioria delas – sonha em estar sempre linda. Durante a gravidez, tal não seria diferente. Porém, não é saudável preocupar-se excessivamente com a aparência do corpo num momento em que este está a adaptar-se para gerar uma vida.

«Não dá para desenvolver um ser no ventre, com todas as nuances que isso exige, pensando no corpo perfeito que deseja ter depois do parto. Durante os nove meses, todos os olhares precisam estar voltados para um bem maior: a saúde da mãe e do bebé. Para isso, basta entrar em acção o bom senso e a aceitação para lidar com as novas formas», diz a psicóloga Renata Menezes.

Infelizmente, não é sempre assim. A preocupação com a boa forma durante a gravidez já criou até um novo termo médico, a pregorexia. Trata-se da anorexia nervosa no período gestacional, um distúrbio alimentar com causa psicoemocional: o medo de ganhar peso. Ainda não há consenso sobre isto, mas acredita-se que a mulher tenha uma baixíssima ingestão calórica, gerando alterações metabólicas que levam ao emagrecimento extremo e ao consumo de reservas no limite do tolerável pelo ser humano. O tratamento envolve uma equipa formada por um psiquiatra, um obstetra, um psicólogo e um nutricionista.

Outra preocupação de algumas mulheres é se os seios vão «descair» depois da amamentação. Algumas até deixam de amamentar por causa disso.

O ginecologista Miguel Grilo explica que, durante a lactação, o estímulo glandular leva ao aumento da estrutura das mamas, com sobrecarga dos ligamentos suspensores, mas que isso faz parte da gestação e que o «prejuízo estético» é infinitamente menor do que todos os benefícios já conhecidos do leite materno. «A estrutura da mama perde um pouco o seu vigor, levando a uma discreta flacidez e diminuição de volume, mas tudo muito de leve».

Para a psicóloga Renata Menezes, há muitos factores por trás destes medos, como a pressão imposta pela cultura da perfeição e a preocupação com a manutenção do relacionamento com o parceiro após o nascimento do bebé. «Será que ele vai achar-me feia?», «Será que ainda vai sentir desejo por mim?». Perguntas como estas podem rondar a cabeça da grávida, por isso o diálogo entre o casal é fundamental para que a mulher se sinta segura com a nova imagem.

«É importante que ela construa a consciência de que a gravidez é um processo que envolve mudanças que implicam muitas transformações físicas. Então, deve procurar manter a rotina de cuidados pessoais a que se submetia antes de engravidar, talvez mudando alguns produtos, sempre com supervisão médica.»

Além da alimentação saudável e da prática de exercícios (sempre com orientação também deve dar atenção especial à pele. A inundação hormonal que a mulher recebe no início da gravidez modifica bastante a superfície corporal, aumentando a preocupação com oleosidade, acne, estria e manchas. Mas, quando adequadamente tratadas desde o primeiro trimestre, dá, sim, para minimizar e até evitar estes sintomas indesejados. E o melhor é que não há grandes segredos, basta seguir alguns princípios básicos na rotina diária: ingerir bastante água, ter uma alimentação rica em proteínas e pobre em gordura animal, usar protector solar e hidratar sempre a pele, principalmente seios (excepto auréolas), face lateral do ventre, nádegas e coxas.

Soberba
Sim, você está grávida e sente-se a mulher mais poderosa de todas. Ainda mais porque se tornou no centro do mundo, tem preferência em todos os lugares e é elogiada e apaparicada por onde passa. Mas cuidado: depois do nascimento há um grande risco de ninguém mais se lembrar de si, só do bebé!

Claro que a gravidez é um momento único e que merece ser comemorado e vivido intensamente. Mas é sempre importante lembrar que, além de mãe, também é esposa, cidadã, profissional…

«Durante a gravidez, pode ocorrer a hipertrofia de papel, ou seja, a imagem da grávida tende a ficar grandiosa tanto para ela quanto para a sociedade», diz Renata Menezes. «Porém, isso não é saudável. Se a mulher conseguir direccional a sua atenção para outros sectores da vida, provavelmente depois do parto ainda se sentirá plena, mesmo que deixe de receber todos os olhares que recebia durante a gravidez».

Quando o bebé nasce, também é fundamental continuar a trabalhar o lado psicológico, até mesmo para evitar a depressão pós-parto. Quando o filho, tão esperado durante os nove meses chega ao mundo, uma nova relação se estabelece. E isto não é fácil de ser assimilado.

«Mãe e filho sofrem o impacto da separação. Nesse momento, a mulher também pode sentir falta de toda a atenção que recebia e que agora se divide entre ela e o bebé. E, com isso, desenvolver uma fragilidade emocional e até mesmo uma depressão. É preciso ficar atenta e, ao menor sinal de que as coisas não vão bem, pedir ajuda aos familiares ou profissionais. Afinal, esse é o momento em que mãe e bebé precisam de se fortalecerem como indivíduos», explica a especialista.

Avareza
A decoração do quarto, o carrinho mais moderno, aquelas roupinhas lindas de morrer, a cadeirinha… A lista de desejos é enorme, não é? A vontade é comprar tudo, afinal, é o seu filho que vai nascer e ele merece! Mas logo aparece o seu companheiro a dizer: «Mas é mesmo necessário isto tudo?».

Na maioria das vezes, o «pecado da avareza» não é cometido pela mulher, e sim pelo parceiro. É ele que quer economizar, fazer a lista do enxoval só com o básico e nunca gastar a mais do que o planeado.

Paula Fontes é personal shopper e conta que muitos pais a procuram justamente por ser mais económico controlar a esposa, já que faz a lista do enxoval de acordo com o orçamento previsto pelo casal. Como muitas vezes a grávida tem de estar em repouso, é o companheiro quem vai fazer o enxoval com a consultora, o que já rendeu boas histórias.

«Uma mãe de gémeos mandou o marido sozinho. Ela deu-me dinheiro por fora sem o parceiro saber, pediu-me para lhe dar as facturas em separado e esconder as compras, entregando-as só num dia que o marido não estivesse em casa. Numa outra vez, o pai não apareceu e cancelou as compras. Também já me apareceu um marido que veio só para agradar a esposa, mas não queria ver os artigos. Ele deu-me o cartão de crédito e só se encontrou comigo no final do dia. Fico sempre no meio do fogo cruzado.»

É sempre bom lembrar que, depois de o bebé nascer, as contas vão aumentar. Por isso, talvez o homem não esteja tão errado assim quando pensa em economizar desde cedo. Vale ter bom senso, assim não gasta com coisas supérfluas, mas também pode «dar-se ao luxo» de um mimo de vez em quando.

Luxúria
Não, sexo NÃO é pecado durante a gravidez! Existem exceções, como em casos de gravidez de risco ou suspeita de parto prematuro, porém é o médico quem deve orientar.

Normalmente, a mulher tem aumento de libido nessa fase. Segundo Miguel Grilo, tal facto se explica por dois motivos. «O primeiro é a presença da gravidez propriamente dita, pois o sexo sem receio de engravidar gera uma entrega completa de ambas as partes. O segundo é a inundação hormonal. Níveis elevados de estrogénio e testosterona levam a um período de excitação rápido e eficaz, com lubrificação vaginal fluida e orgasmos intensos.»

Mesmo com maior apetite sexual, algumas mulheres e os seus parceiros têm medo de fazer sexo durante a gestação, alguns até com receio de magoar o bebé. Porém, isto não faz sentido, como explica a sexóloga Carla Cerqueira. «O bebé está protegido dentro do útero e o pénis não chega até lá durante a relação; fica no canal vaginal. É perfeitamente saudável para o casal praticar sexo durante a gravidez, é apenas necessário procurar novas posições e adequar-se quando a barriga começa a ficar grande, já que não são todas que serão confortáveis, principalmente no último trimestre.»

Ou seja, se há  pecado que a grávida pode cometer, é este!

Fonte: Sapo Crescer